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Nas asas do Fairchild PT-19

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Por: Daniel Popinga   Caros leitores e seguidores do Portal do Aviador, tentarei através do texto a seguir e da sequência de fotos que fiz, expressar a emoção, a satisfação e o privilégio de voar num clássico treinador da Segunda Guerra Mundial. Fairchild PT-19. No auge dos meus 29 anos, sendo mais de 10 deles dedicados a fotografia de aviação, tive o prazer de voar em alguns aviões interessantes. Aliás, pra mim, um verdadeiro apaixonado por aviação, todo avião é interessante. Tive algumas experiencias muito boas, como fazer alguns voos acrobáticos num Extra 330LT, também num Extra 300. Alguns entenderão o que vou dizer. Há aviões que quando voamos, ficamos em transe. Chegamos a passar a noite em claro, lembrando, sonhando. E o PT-19 me proporcionou fortemente isso! O experiente Comandante José Alberto, com mais de 23.000 horas de voo em aviões comerciais, feliz proprietário do PP-GFT, foi quem realizou esse meu sonho. E isso aconteceu no último domingo, 08 de novembro, no evento Portões Abertos, na Base Aérea de Florianópolis. Logo pela manhã fui até a Base, afim de realizar a cobertura do evento para o Portal do Aviador e para minha grande surpresa, o PP-GFT estava lá, reluzente, em exposição, junto com outras aeronaves civis e militares. E o Comandante ''Zé'', já sabendo da minha grande vontade de voá-lo, não fez cerimônia em convidar-me pra retornar à São José, onde o GFT fica hangarado (cidade que eu resido, também). Bom, quem me conhece, sabe como reagi... A alegria e a ansiedade eram imensas. Combinamos que sairíamos da Base por volta das 16:00 horas. Horário que teve que ser modificado pra 15:00, por conta da meteorologia, assim como outros aviões que também retornariam à São José. Nada mau! Eu queria saber de embarcar e voar o ''Petezão''. E assim foi. Fomos empurrando o Fairchild da área onde estava em exposição até a taxiway, onde seria acionado e iniciaríamos o táxi. Logo estamos a bordo, cintos de cinco pontos atados, aguardando autorização da Torre Florianópolis para iniciarmos o longo táxi pela Charlie, até a cabeceira 03, então em uso. Uma grande multidão se formou por detrás da fita de segurança, pra assistirem o acionamento e saída da aeronave. Emocionante! Sinceramente, impossível não me imaginar sendo um cadete da Força Aérea Brasileira ou até mesmo um instrutor de voo, daquela época, estando a bordo do mito. Muitas coisas passaram pela minha mente, como um filme, desde os tempos em que o GFT estava sendo restaurado em São José, até o primeiro voo, que também presenciei. Como também imaginei quantas gerações de pilotos militares esse mesmo avião ensinou a voar, quando de seu tempo na Força. Outros tempos. Tempos difíceis da Guerra. Enfim, após todos os cheques previstos serem realizados do motor Ranger L-440, de seis cilindros invertidos, que a propósito proporcionam um som maravilhoso, alinhamos na 03. Ainda antes da decolagem solicitamos uma passagem baixa sobre a Base, pra saudar todo o público presente, e a mesma é autorizada, porém a 1.000 pés. Resolvemos que após a decolagem retornaríamos direto ao SSKT. Coração tava a mil nessa hora. assim como a câmera em mãos, configurada, pra não perder nenhuma oportunidade de fotos que esse voo me proporcionaria. Então iniciamos a corrida para decolagem. Lentamente íamos ganhando velocidade e o PT-19 mostrava o que de melhor sabia fazer: voar! Com aproximadamente 65 mph já estamos subindo, a uma razão de 300 pés por minuto. Como subíamos lentamente, era possível ver as pessoas, trabalhando no pátio e hangares do Aeroporto Internacional de Florianópolis observando a nossa decolagem. Pelas formas e o barulho do avião, era possível imaginar de que se tratava de algo raro! Nem estava acreditando. Estava alçando voo num PT-19. Simplesmente eu estava maravilhado com tudo isso. Parecia uma criança que acabara de ganhar um presente, que estava aguardando a anos! Sem cobertura superior e lateral, apenas com um pára-brisas, aumentava ainda mais a sensação e liberdade e satisfação. Longe de ter a sofisticação tecnológica que os atuais aviões possuem, mas mantendo seu ar de soberania, por onde passa, e de fato, sendo respeitado por qualquer geração de pilotos. Não foi um voo longo, durou aproximadamente 25 minutos. Mas foi maravilhoso. Após decolagem, 1.000 pés até o circuíto de tráfego do SSKT. A velocidade média durante o voo foi de 75 mph, o que proporcionou boas possibilidades para fotos. Aeronave extremamente dócil. Agora, através das fotos, gostaria de transmitir um pouco de tudo que vivenciei nesse voo!   IMG_9106

O público, buscando o melhor lugar possível pra ver o acionamento e táxi do PT-19

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Militares da Força Aérea Brasileira observam o PT-19, já acionado, no pátio

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Lentamente no táxi, em ''S'', pela Charlie, até a cabeceira 03 de Florianópolis

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Prestes a realizar um sonho: voar no PT-19. No táxi, pela Charlie

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Painel de instrumentos da nacele traseira do PT-19

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Alinhando na cabeceira 03 de Florianópolis

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Pronto pra iniciar a corrida de decolagem

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Aeroporto Internacional de Florianópolis, visto após a decolagem do PT-19

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Cruzando, em subida, a cabeceira 14 de Florianópolis

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Aeroporto Internacional de Florianópolis

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Já na proa do SSKT, após decolagem de Florianópolis

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E o Aeroporto Internacional de Florianópolis vai ficando pra trás. Oportunidade única voar no clássico PT-19

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1.000 pés sobre o mar

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Proa do SSKT. Cidade de São José à vista

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PP-GFT já visual com o ''KT''

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Ingressando no circuíto de tráfego do ''KT''

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Perna do vento da 03 do ''KT''

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Final da 03 do ''KT''

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Curta final da 03 do ''KT''