Bombardier Learjet 70 e 75 – o fim de uma era de ouro na aviação executiva

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A família Learjet foi, sem dúvidas, uma das mais icônicas linhas de jatos executivos da história da aviação. Fundada por William P. “Bill” Lear no início da década de 1960, a linha se tornou sinônimo de “jatinho executivo” e estabeleceu o mercado de jatos leves, de alto desempenho.

O Learjet 23 foi o primeiro modelo a voar, inspirado (e derivado) de um projeto militar suíço, o caça FFA P-16. Ao longo de quase 60 anos, mais de 3.000 aeronaves Learjet foram produzidas e entregues, mundialmente.

 

Modelo que deu origem aos Learjet: FFA P-16. Foto: https://en.wikipedia.org/wiki/FFA_P-16

 

Em 1990, a canadense Bombardier adquiriu a Learjet Corporation. Desde então, a linha passou por várias gerações de modelos (23, 24, 25, 31, 35, 36, 40, 45, 55, 60, 70, 75, etc.).

Na década de 2000, a empresa planejava substituir a linha com o revolucionário Learjet 85 (bastante emprego do compósito, um projeto totalmente novo).

O cancelamento do modelo 85, em meados  de 2015, aconteceu após atrasos e custos elevados e deixou um “vazio” tecnológico na linha.

 

O protótipo do Learjet 85, no táxi. Foto: https://www.netairspace.cc/

 

Como solução intermediária e de menor custo, a Bombardier lançou em 2012 versões modernizadas do 40XR/45XR, rebatizadas como Learjet 70 e 75, respectivamente.

Em essência, o programa foi uma tentativa de manter competitividade no segmento dos Light Jet, assim como uma forma de prolongar a vida útil das plataforma 40 e 45.

 

O N446LJ – o primeiro Bombardier Learjet 75. Foto: https://www.jetphotos.com/

 

Desenvolvimento técnico

O desenvolvimento das séries 70 e 75 utilizou aeronaves 40XR e 45XR modificadas como plataformas de testes. A certificação FAA do Learjet 75 ocorreu em 14 de novembro de 2013, com entregas iniciadas logo em seguida.

A produção principal foi em Wichita (Kansas), tradicional berço dos Learjet. O 70 teve produção muito limitada e sua produção foi suspensa, com 13 unidades, por falta de demanda.

Da família Learjet, o 75 seguiu como único modelo ativo até o encerramento do programa.

 

O N106GK, primeiro Bombardier Learjet 70, tendo como plataforma o modelo 40XR. Foto: https://www.jetphotos.com/

 

Principais melhorias em relação aos Learjet 45

Sem dúvidas, o principal avanço nos Learjet e 75, foi a introdução da suíte de aviônicos Garmin G5000 touchscreen, um cockpit totalmente digital – automação e interface inspiradas no Learjet 85.

A nova suíte trouxe uma redução da carga de trabalho dos pilotos.

 

Suíte de aviônicos Garmin G5000 touchscreen (Bombardier Vision Flight Deck) com telas de alta resolução, visão sintética e planejamento de voo gráfico. Foto: Portal do Aviador

 

Winglets inclinados derivados do programa Global 7000/8000 também foram adicionados, contribuindo sensivelmente na melhoria da eficiência e alcance.

Os motores Honeywell TFE731-20BR, do 45XR fornecem cerca de 3.650 lbf. Nas séries 70 e 75, os motores empregados são os TFE731-40BR-1B, com 3.850 lbf.

É uma evolução direta dos motores dos 45XR, mas com algumas mudanças internas importantes:

  • 10% mais potência de decolagem que os motores do 45/45XR;
  • ~4% melhor eficiência de combustível;
  • Novas seções de turbina e revestimentos cerâmicos em componentes críticos, acarretando menor desgaste térmico, melhor consumo específico e intervalos potencialmente mais favoráveis de manutenção.

 

Na prática, as melhorias nos 75 (aumento no empuxo e os novos winglets), possibilitaram uma maior aceleração e distâncias menores de decolagem, assim como um incremento em sua performance em aeroportos localizados em grandes altitudes e quentes também (uma limitação comum nos 45/45XR).

 

A cabine de passageiros dos Learjet 75 também foi melhorada, visando, logicamente, uma melhor experiência para seus usuários:

  • interior redesenhado;
  • iluminação LED e novos materiais;
  • maior integração digital de sistemas de cabine.

 

Lembrando que, em aviação executiva, a configuração do interior da aeronave é oferecida de acordo com os gostos e preferências do cliente, podendo variar de um avião para outro.

 

O interior de um Learjet 75, durante a edição de uma das Labace, no Aeroporto de Congonhas, SP. Foto: Portal do Aviador.

 

O Learjet 75 PS-JOT – um dos mais bonitos operando no Brasil! Foto: Portal do Aviador

 

Outro Learjet 75 brasileiro: PS-GRP. Foto: Portal do Aviador

 

Dados técnicos – Learjet 70

  • Velocidade máxima de cruzeiro – 465 ktas (861 km/h) / Mach 0.81
  • Velocidade de cruzeiro –  430 ktas (796 km/h)
  • Alcance máximo (4 pax + Reservas) – 2.060 nm (3.815 km)
  • Teto máximo operacional – 51.000 ft (15.545 m)
  • Altitude inicial de cruzeiro (MTOW) – 45.000 ft (13.716 m)
  • Distância de decolagem (MTOW) – 4.440 ft (1.353 m)
  • Distância de pouso (MLW) – 2.660 ft (811 m)
  • Peso máximo de decolagem (MTOW) – 21.000 lb (9.525 kg)
  • Peso máximo de pouso (MLW) – 19.200 lb (8.709 kg)
  • Peso máximo zero combustível (MZFW) – 16.000 lb (7.257 kg)
  • Capacidade de combustível: 6.062 lb (2.750 kg)
  • Configuração típica – 6 passageiros + 2 tripulantes
  • Comprimento da cabine – 17 ft 8 in (5,39 m) — cerca de 65 cm menor que o Learjet 75
  • Largura da cabine – 5 ft 1 in (1,55 m)
  • Altura da cabine – 4 ft 11 in (1,50 m)
  • Volume de bagagem (total) – 50 ft³ (1,42 m³) interno e externo combinados
  • Comprimento da aeronave – 55 ft 6 in (16,91 m)
  • Envergadura – 50 ft 11 in (15,5 m)

 

Dados técnicos – Learjet 75

  • Velocidade máxima de cruzeiro – 465 ktas (861 km/h) / Mach 0.81
  • Velocidade de cruzeiro –  430 ktas (796 km/h)
  • Alcance máximo (4 pax + Reservas) – 2.040 nm (3.778 km)
  • Teto máximo operacional – 51.000 ft (15.545 m)
  • Altitude inicial de cruzeiro (MTOW) – 45.000 ft (13.716 m)
  • Distância de decolagem (MTOW) – 4.440 ft (1.353 m)
  • Distância de pouso (MLW) – 2.296 ft a 2.660 ft (dependendo da configuração)
  • Peso máximo de decolagem (MTOW) – 21.500 lb (9.752 kg)
  • Peso máximo de pouso (MLW) – 19.200 lb (8.709 kg)
  • Peso máximo zero combustível (MZFW) – 16.500 lb (7.484 kg)
  • Capacidade de combustível: 6.062 lb (2.750 kg)
  • APU (Unidade de Potência Auxiliar) – Honeywell RE100 (padrão no Learjet 75, opcional no modelo 75 Liberty).
  • Configuração típica – 8 passageiros + 2 tripulantes (configuração Double-Club).
  • Comprimento da cabine – 19 ft 10 in (6,04 m)
  • Largura da cabine – 5 ft 1 in (1,55 m)
  • Altura da cabine – 4 ft 11 in (1,50 m)
  • Volume de bagagem (Total) – 65 ft³ (1,84 m³), sendo a maior parte externa e aquecida
  • Comprimento da aeronave – 58 ft (17,7 m)
  • Envergadura – 50 ft 11 in (15,5 m)

 

Mercado, desempenho comercial e limitações

Alguns fatores pesaram bastante para o fim da produção dos Learjet 70 e 75, como a concorrência forte com os jatos da linha Cessna Citation e, principalmente o Embraer Phenom 300, líder de vendas em sua categoria por vários anos consecutivos. Considera-se também a priorização da Bombardier em programas de jatos maiores e mais rentáveis, como o Challenger e o Global.

Ainda em 2019, numa tentativa de emplacar um modelo com custo mais “acessível”, a Bombardier anunciou o Learjet 75 Liberty, que tinha como diferenças a redução para 6 assentos na cabine principal, a remoção do APU e do lavatório com pia (opcionais nesta versão), visando reduzir peso e preço. Houve um ligeiro aumento no alcance para 2.080 nm, devido à redução de peso. Cerca de dois exemplares destes, foram oferecidos.

E também, diferente de muitos concorrentes da categoria “Light“, como o Phenom 300 ou o Citation CJ3, o Learjet 75 é certificado sob o Part 25 (Transport Category), a mesma exigida para grandes aviões comerciais, o que impõe padrões de segurança e performance de motor crítico mais rigorosos, e também exige obrigatoriedade de dois pilotos, nas operações.

 

O N2022L – último Learjet 75 produzido e entregue, em 2022, sob o S/N 45-609 / 75-154. Foto: https://www.jetphotos.com/

 

Seja como for, há muitos jatos da linha Learjet operando, tanto no Brasil, como internacionalmente, e o nome “Lear” sempre será vinculado não só à própria aviação executiva, mas principalmente à conforto e eficiência!

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