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Aeronaves históricas, o Sukhoi de asas móveis
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Aeronaves históricas, o Sukhoi de asas móveis

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O Su-7 “Fitter” original era um aparelho de ataque ao solo potente (mas limitado). O acréscimo de asas de geometria variável, motor mais possantes e novos aviônicos aumentou suas capacidades além do imaginável.

O Sukhoi Su-7IG (batizado “Fitter-B” pela OTAN) foi mostrado pela primeira vez em público em julho de 1967. Era evidentemente uma versão de geometria variável do conhecido Sukhoi Su-7 “Fitter”. No início dos anos 70, apareceu o “Fitter-C”, que, comparado ao Su-7 “Fitter-A” original, podia transportar aproximadamente o dobro da carga de arma de ataque, operar em pistas de quase metade do comprimento, e atingir alvos 30% mais distantes. Sucessivas versões do “Fitter” continuaram a modernizar os aviônicos e a aumentar sua já formidável capacidade, mantendo o avião não apenas na linha de frente mas também em produção contínua.

A versão Fitter-C trouxe um motor turbojato Lyulka AL-21F-3 com pós-combustão

A versão original de geometria variável “Fitter-C” continua em serviço em alguns países como o Peru, por exemplo. Parece-se muito com o protótipo do “Fitter-B” original, exceto por ter uma espinha dorsal unindo a cobertura da cabine à deriva e um motor turbojato Lyulka AL-21F-3 com pós-combustão, ainda mais possante que o AL-7F-1 dos “Fitter-A” e “B”. A diferença na potência é considerável: em pós-combustão total ao nível do mar, o AL-7F-1 dá um empuxo de 7 000 kg, enquanto o AL-21F-3 desenvolve nada menos que 11 200 kg. Isso melhora muito o desempenho global, a aceleração e a manobrabilidade em combate desses aviões grandes e cada vez mais pesados.

O enflechamento das asas

Alguns aparelhos de geometria variável têm um computador a bordo chamado programador de enflechamento/Mach, que ajusta automaticamente o ângulo das asas para o melhor valor de cada condição de voo. Nos Sukhoi, é o piloto que faz os ajustes, usando uma alavanca instalada na cabine para acionar mecanicamente as asas.

Os painéis externos são enflechados no ângulo mínimo de 28° para decolagem e voos a baixa velocidade; para voos supersônicos e ataques a baixa altitude, com potência total, é usado o máximo de 62°. Em alguns aviões de guerra de geometria variável, o piloto pode fixar as asas em qualquer ângulo, porém, nos “Fitter”, ele só tem a escolha dos dois limites e de uma única posição intermediária.

O “Fitter-D” mostra a janela do explorador laser montada no cone de choque e a característica carenagem do nariz

No bordo de ataque de cada painel móvel há um grande plano auxiliar (slat), aberto para aumentar a sustentação em baixa velocidade. No bordo de fuga estão (externamente) um aileron de acionamento motorizado para controle de guinada em todas as ocasiões e (internamente) um grande flap fendido. Quando as asas estão totalmente abertas, os flaps podem ser estendidos, fornecendo sustentação e arrasto extra, porém, tão logo as asas começam a se movimentar para trás, o circuito do flap torna-se inoperante, e os flaps começam a desaparecer dentro da grande seção central em forma de caixa.

No caso de o piloto não ser capaz de desenflechar as asas, ele é aconselhado a ejetar, pois a velocidade de pouso poderia ser perigosamente alta. A confiabilidade do mecanismo do “Fitter” não é conhecida, porém muitos MiG-23 e MiG-27 “Flogger” foram perdidos provavelmente por falhas desse sistema.

Os primeiros “Fitter-C” tinham a antena do receptor do radar de alerta Sirena na ponta da deriva. Nos aviões de série, esse crucial sistema de defesa foi deslocado para uma posição logo acima do grande tubo que aloja o paraquedas de freio. Outro útil acréscimo para ajudar a sobrevivência do aparelho em espaço aéreo hostil foi o espelho retrovisor instalado na parte superior da cobertura da cabine.

Para melhorar o fluxo aerodinâmico sobre a asa, foi acrescentada mais uma cerca à parte interna fixa dela, enquanto a cerca externa sobre a articulação foi feita extraordinariamente alta e carenada por baixo do bordo de ataque, formando um cabide. Dessa forma, o “Fitter-C” de asas móveis fica com um total de oito cabides, cada um para 1 000 kg nominais: um par atrás de outro sob a fuselagem, um cabide sob cada bordo de ataque mais outro cabide sob cada gigantesca cerca orientadora de fluxo externa. Os cabides da fuselagem e os externos das asas têm tubulações para tanques alijáveis de 800 litros.

Ao contrário dos “Fitter” originais, esses aviões podem transportar uma substancial carga de bombas junto com quatro tanques. Nos “Fitter-C” foram mantidos os canhões NR-30 nas raízes das asas. Por volta de 1975, apareceu o “Fitter-D”, com uma nova seção dianteira da fuselagem, alongada, porém levemente inclinada para baixo, a fim de melhorar a visão do piloto. Sob o nariz estão o radar de evitação de obstáculos do terreno, o telêmetro e o buscador de alvos marcados a laser.

Versões para exportação

No “Fitter-D”, o desequilíbrio causado pelo nariz mais longo e mais profundo não foi compensado pela instalação de uma deriva maior. No entanto, tal deriva foi instalada na versão de exportação chamada “Fitter-F”, que também tem um motor diferente e muito mais novo, o Tumansky R-29B, com um empuxo de 11 500 kg. Esse motor sem fumaça é usado também nos MiG-23BN/MiG-27 “Flogger”.

O Fitter-F”, com motor muito mais novo, o Tumansky R-29B, com um empuxo de 11 500 kg

Merece uma pequena menção à parte o “Fitter-E”, uma versão biplace de treinamento do “Fitter-C”. Essa variante mantinha os resistentes painéis de aço na fuselagem, junto à boca dos canhões, embora tivesse apenas o canhão da asa direita. O mesmo ocorreu com o “Fitter-G”, o primeiro de uma família totalmente nova, com fuselagem redesenhada e deriva vertical. Propulsado por um Tumansky, o “Fitter-G” tem a parte dianteira da fuselagem inclinada para baixo. Esse fato, aliado à extrema profundidade da carenagem dorsal, explica por que a deriva teve de ser mais alta e foi preciso instalar uma nova barbatana ventral. As cabines do “Fitter-G” são escalonadas, como em outros aviões modernos, com os assentos um atrás do outro; as duas coberturas abrindo para cima são inteiramente novas.

O “Fitter-G” biplane, com cabines escalonadas

Em 1982, surgiu o “Fitter-H”, uma versão monoplace do “Fitter-G”, com a nova fuselagem alta com carenagem dorsal, deriva alta e nova cobertura da cabine. Esse modelo tem dois canhões e, além de laser, possui também um radar de evitação de obstáculos do terreno montado no nariz. O “Fitter-H” foi visto com mísseis “inteligentes” (como o AS-7 “Kerry”).

A Líbia foi o único comprador estrangeiro do “Fitter-H”, porém muitas forças aéreas no exterior adquiriram o “Fitter-J”, levemente diferente, com uma barbatana ventral para melhorar a estabilidade na pontaria contra alvos em terra ou no ar.

O último dos modelos é o “Fitter-K”, com aviônicos mais atualizados, excelentes sistemas de EW e pontaria das armas ainda mais precisa. A única diferença visível em relação aos outros modelos é a antena do receptor de alerta por radar (RWR) na frente da deriva, com menor arrasto do que os RWR anteriores, projetados do bordo de ataque das asas.

O “Fitter-K” foi o último dos “Fitter”, pois o aparelho ficou obsoleto e cedeu lugar a seus irmãos Su-24 “Fencer”, Su-25 “Frogfoot” e Su-27 “Flanker”, mais modernos. No entanto, a sólida resistência e a extrema simplicidade dos “Fitter”, típicas dos aviões de guerra soviéticos, devem garantir por muitos anos aos últimos membros da família um lugar de importância nas várias forças aéreas que incorporam.

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