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Aeronaves históricas, o Vought A-7 Corsair II
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Aeronaves históricas, o Vought A-7 Corsair II

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Subsônico equipado com econômico turbofan e avançada tecnologia serviu os EUA na Guerra do Vietnã

Desenvolvido no início dos anos 1960, nos EUA, o Vought A-7 substituiu o McDonnell Douglas A-4 Skyhawk, até então o avião leve de ataque mais bem-sucedido do mundo. Equipado com um econômico turbofan e uma nova geração de aviônicos, que lhe aumentavam o desempenho, o A-7 revelou uma capacidade única para combates sob mau tempo.

A escassez de aviões de ataque ao solo, predominante na época, levou a Força Aérea americana a encomendar uma versão desnavalizada do A-7 para substituir o North American F-100D e o Republic F-105 na Guerra do Vietnã. Desde então, o aparelho passou por diversas alterações e conquistou novos mercados, como Portugal e Grécia.

Vencendo a concorrência

A Marinha americana planejava substituir o Douglas A-4 Skyhawk já no início dos anos 1960 e abriu concorrência para o desenvolvimento de um novo aparelho, cujo projeto ganhou o nome de VAL.

Participaram da concorrência a Douglas, a North American e a Ling-Temco-Vought (LTV), mas a Marinha logo optou pelo projeto da LTV, e o novo aparelho, denominado A-7, recebeu o nome de Vought Corsair II, numa evidente alusão ao Corsair F-4U – ou “bent-wing bird” (pássaro de asas dobradas), notável caça americano da Segunda Guerra Mundial.

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Vought A7 Corsair II – Foto: Paulo Antunes

Características ancestrais

A configuração estrutural do Vought A-7 Corsair II era adequada para missões leves a velocidades subsônicas elevadas. O enflechamento moderado das asas retardava o acentuamento do arrasto, garantindo o alinhamento com o centro de gravidade.

Pouco afiladas, as asas, instaladas no alto da fuselagem, receberam pequena extensão no bordo de ataque, evitando a perda de sustentação nas pontas. Já o estabilizador, montado mais embaixo, garantia ausência de empinamento. Por fim, reduziu-se a altura da deriva para atender às exigências de espaço nos hangares dos porta-aviões.

No lugar do impulsor J57, com pós-queimador, instalou-se um turbofan Pratt & Whitney TF30 sem pós-queimador. Os primeiros A-7 também receberam inúmeros equipamentos: radar multimodal APQ-116 da Texas Instruments; piloto automático Lear-Siegler; sistemas de navegação e ataque polivalente ILAAS (integrated light attack avionics system, sistema integrado de aviônicos para ataque leve), combinando navegação inercial Doppler a um computador digital central.

A primeira esquadrilha do A-7 voou em setembro de 1965. Um ano depois, a Marinha americana recebia os últimos aparelhos da série – num total de 199 aeronaves produzidas. A série seguinte, chamada de A-7B, ganhou a turbina P-8, de 5.534 kg empuxo, no lugar da P-6, de 5.148 kg. No ano seguinte, a turbina P-8 seria modificada para os padrões da P-408, de 6.078 kg de empuxo, modelo que impulsionou uma nova série, a A-7C.

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Vought A7E Corsair II – Foto: Panagiotis A. Pietris

A série A-7D, surgida na sequência, substituiu a turbina TF30 por uma Rolls-Royce Spey de 6.577 kg de empuxo. Em 1968, a Marinha encomendou a série A-7E, versão baseada em porta-aviões. O impulsor, com potência ligeiramente aumentada, permitia empuxo estático de 6.804 kg. Em julho de 1969, começaram as entregas do A-7E, avião que estreou na costa do Vietnã, em maio de 1970, a bordo do porta-aviões America. O Vought A-7 Corsair II participou, ao todo, de 90.230 missões de combate na Segunda Guerra Mundial – tendo apenas 54 aparelhos abatidos por fogo inimigo.

No setor de exportações, até 1983, o A-7 não havia conquistado o espaço merecido. O Canadá manifestou interesse pelo Corsair II, mas foi persuadido a adquirir outro aparelho. A Força Aérea suíça chegou a optar pelo A-7 para substituir seus De Havilland Venom. Mas o governo suíço interferiu nas negociações e determinou a compra do Northrop F-5-E, menos dispendioso.

A Vought só havia concretizado, até aquele ano, negócios com Portugal e Grécia. A Força Aérea grega adquiriu sessenta A-7H (A-7E baseado em terra) e cinco TA-7H biplaces, denominados Koursaro pelos gregos. Portugal, o segundo cliente da Vought, comprou vinte dos A-7A que pertenciam à Marinha, reformados para o padrão A-7P (com impulsor TF30-P-408). A Tailândia em 1995 adquiriu 16 A-7E e 4 TA-7C de segunda mão da USN.

Em 1982, havia cerca de 290 A-7E na Marinha americana, 75 A-7B em duas unidades da reserva, 285 A-7D na Força Aérea e 25 A-7K na Guarda Nacional. Na Marinha, foram substituídos pelos Douglas McDonnell F/A-18 Hornet, sendo o último retirado de serviço em 1991. Portugal manteve os seus até 1999, substituindo-os pelo F-16. A Grécia começou a aposentar os seus Corsair em 2014.

Pedro Rosas / Giordani / Cavok