O Portal do Aviador reúne sites e muito conteúdo relacionados à aviação. Notícias, anúncios e cobertura de eventos aeronauticos.

Aviação Geral

Dicas e cuidados com a “síndrome da classe econômica”

Compartilhe
, / 856

Prepare-se para a temporada de férias, especialmente para os voos internacionais, e confira as melhores dicas para uma viagem tranquila e saudável

Pedro Rosas
Portal do Aviador





Sabemos que as viagens aéreas se tornaram cada vez mais frequentes na vida pessoal e profissional de grande parte da população mundial. Por isso todo cuidado é pouco, especialmente para as longas jornadas, onde o passageiro permanece por horas sentado, estático, na mesma posição. Não à toa, problemas relacionados à circulação sanguínea são hoje batizados de “síndrome da classe econômica”, em alusão às estreitas poltronas dos voos comerciais.


Ao ficar por muito tempo imóvel, e principalmente sentado, a circulação se torna mais lenta, aumentando a pressão venosa, formando pequeninos coágulos nos membros inferiores. Dentro de um avião, a baixa pressão atmosférica, causada pela pressurização da cabine, também contribui para esse processo que, na pior das hipóteses, pode causar uma trombose ou mesmo uma embolia pulmonar. 

Mas não há motivos para preocupação. Evitar o problema é muito simples: mexa-se! “Cinco minutos de movimentação, de hora em hora, já é o suficiente”, avalia Amaury Simoni, médico da Sociedade Brasileira de Medicina Aeroespacial. Portanto, se você fará uma viagem de mais de seis horas, é bom ficar atento e seguir as recomendações.


Como se preparar para a viagem
Evitar roupas e sapatos apertados, que prejudiquem a circulação.
Pessoas com histórico de trombose, congênito ou na família, devem usar meias elásticas de compressão
Dormir bem antes da viagem e não deixar de praticar os exercícios durante o trajeto (confira lista abaixo)
Levar medicações de rotina – mesmo no avião, a pessoa deve se medicar como está habituada
Durante o voo, comer com moderação
Manter-se hidratado e dar preferência à água e suco de frutas
Não colocar nada sob o assento à frente que impeça o movimento das pernas
Para voos acima de seis horas, levantar e andar pela cabine periodicamente
Exercícios durante o voo
Incline o tronco para frente e mantenha a posição por 30 segundos, aliviando a região lombar
Sentado, abrace um dos joelhos e traga-o para perto do peito. Mantenha esta posição por 30 segundos e repita com a outra perna
Ajuste a poltrona de maneira que as costas fiquem apoiadas por inteiro
Em pé, puxe a ponta dos pés em direção ao glúteo e mantenha a posição por 30 segundos. Repita do outro lado.
Para ajustar o sono
A Academia Americana de Medicina do Sono publicou recomendações básicas para ajustar o sono durante as viagens internacionais, já que somos obrigados a atrasar nosso relógio biológico (direção oeste) ou mesmo adiantá-lo (direção leste):
Ajustar o relógio dois dias antes
Viagens para oeste: deitar uma ou duas horas mais tarde e expor-se à luz brilhante pela noite
Viagens para leste: Deitar uma ou duas horas mais cedo e expor-se à luz brilhante pela manhã
Ao embarcar, em casos de extrema necessidade, tomar somente “indutores de sono” de curta duração
Durante o voo, beber muita água e evitar bebidas com cafeína
Durante o voo, mudar de posição e andar sempre que possível. Se tiver problemas cardíacos ou de circulação, não tomar comprimidos para dormir
Depois de chegar, tire cochilos durante o dia – não mais do que 30 minutos para não interferir no sono noturno

Umidade e pressurização

Dentro da cabine de passageiros, a pressurização e o sistema de renovação do ar, deixam a umidade abaixo de 15% – nível encontrado, por exemplo, no deserto do Saara. Em casos extremos, a umidade pode chegar a 5%. É natural que voos de longa duração, voos noturnos, muitas paradas e conexões longas, possam trazer alertas para o corpo humano. 

Para os alérgicos, ou para possíveis indisposições como espirros, tosse e coriza, a dica é beber bastante líquido e, claro, evitar bebidas alcoólicas. Para os que possuem desvio de septo e apneia, a dica é tapar o nariz e tentar engolir sem respirar. Tente também respirar profundamente e segurar o ar por dois segundos. Mascar bala, chiclete ou bocejar, também ajuda bastante. Outra sugestão importante é não viajar resfriado e evitar os últimos assentos. 

Solução para um ambiente possível

Os aviões de grande porte são projetados para voar em grandes altitudes. Entre 33.000 pés e 41.000 pés (10 mil e 12,5 mil metros), as turbinas são mais eficientes, o consumo de combustível é menor, a aeronave enfrenta menor resistência do ar e quase nenhuma turbulência.  Essa feliz combinação, contudo, cobra seu preço. Voando em altitudes onde a temperatura despenca para 50° C ou 60° C negativos, o índice de oxigênio naturalmente diminui. 

Como a qualidade do ar nessas condições não serve para o consumo humano, a cabine pressurizada foi a solução encontrada para criar um ambiente artificial, fazendo com que a pressão atmosférica dentro do avião corresponda a uma altitude entre 6.000 e 8.000 pés (02 mil e 2,5 mil metros). Ainda assim, o nível de oxigênio permanece menor do que a maioria dos lugares habitados, podendo causar desconforto em alguns passageiros.

Porque não abaixar a pressão para níveis “naturais”?

Para atingir a pressão atmosférica do nível do mar, as aeronaves precisariam de uma estrutura extremamente forte e pesada, demandando muita potência das turbinas, consumo elevado de combustível e redução de carga útil. Além disso, mantendo a altitude a 02 mil metros, o ganho de potência nas turbinas torna-se 50% maior. Para umedecer o ar, teríamos mais problemas: os engenheiros precisariam projetar um verdadeiro tanque de água dentro da aeronave, além de enfrentar o peso excessivo das forrações, a corrosão dos circuitos eletroeletrônicos, entre outros. 

*Demais informações como assistência especial, direito do passageiro, entidades de proteção, segurança de voo, entre outros, consulte o “Guia do Passageiro”, publicado pela Agência Nacional de Aviação Civil e disponibilizado pela internet

** É importante ressaltar que os jatos comerciais de grande porte também comportam um sistema quase perfeito de filtragem do ar, incluindo equipamentos hospitalares Hepa (High Efficiency Particle Arrestor), capaz de remover até 99% dos microorganismos dentro da aeronave.