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Aviação Executiva

Learjet, primeira família dos jatos, completa 50 anos

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Sinônimo de requinte e favorito das celebridades, o clássico da Bombardier comemora bodas de ouro e continua a inspirar gerações ao redor do mundo

Pedro Rosas
Portal do Aviador
Learjet comemora 50 anos

Há exatos 50 anos, o primeiro Learjet decolava pelo céu de Wichita para inaugurar a indústria de jatos executivos. A visão e perspicácia de seu criador, Bill Lear, despertou um sonho de vida que, mesmo após duas décadas, continua a influenciar gerações. Sinônimo clássico de voos luxuosos, o Learjet também foi o preferido das celebridades, dos grandes empresários e personalidades da época. 


Tudo começou em 1952, com o projeto de um bombardeiro suíço, o FFA P-16, que chegava para substituir as aeronaves a pistão, obsoletas para a função. O primeiro protótipo do P-16 voou em 1955, com suas asas curtas e afiladas, e enormes tanques nas pontas. O bombardeiro acabou não entrando em produção, mas o projeto chamou a atenção de um visionário americano, o engenheiro e piloto Bill Lear.

Primeiro voo do Learjet – 7 de Outubro de 1963, Wichita, EUA
Incorporando as asas e os trens de pouso do caça suíço, acrescentando uma fuselagem mais afilada e elegante – capaz de acomodar dois pilotos e seis passageiros –, Bill contratou Hans-Luzius Studer, o mesmo designer do FFA P-16, para produzirem, juntos, o que seria um dos jatos executivos mais famosos de todos os tempos. E foi em outubro de 1963, um ano depois de Bill inaugurar a Lear Jet Corporation, que o primeiro exemplar do modelo Learjet 23 decolou de sua sede em Wichita, Kansas, há exatos 50 anos. 

Seu desempenho superava todos os padrões existentes, voando muito mais rápido do que qualquer avião civil da época. Com dois turbojatos na cauda e motores General Eletric CJ-610, de 2.850 lbf de empuxo cada um, o Learjet 23 exibia simplicidade no painel e nos instrumentos, além de assentos confortáveis e design inovador. A cauda abandonou o formato de cruz para ganhar desenho em “T”. A porta se abria em duas partes, com a superior tornando-se proteção contra chuva e sol e a inferior transformando-se em degrau. 

Frank Sinatra e o grande recorde da família 23 

Quando a família Learjet nasceu, como símbolo de luxo e requinte, voando muito mais rápido e mais confortável do que qualquer aeronave executiva, caiu rapidamente no gosto dos clientes-celebridades. Personalidades como Danny Kaye, Peter Jennings e especialmente Frank Sinatra, ícone da elegância em Hollywood, ajudaram a promover os jatos como a última palavra em aeronaves para o jet set. 

Dois anos após seu primeiro voo, em 1965, a linhagem Learjet começou a bater recordes oficiais de desempenho. Em maio daquele ano, um modelo 23 foi o primeiro avião civil a atravessar os Estados Unidos de costa a costa, entre Los Angeles e Nova York, do nascer ao pôr do sol do mesmo dia.

Atingia velocidade máxima de 488 Knots, a 24 mil pés (Mach 0,82). Nas palavras dos próprios pilotos da época, eram um verdadeiro “foguete”. Com o primeiro modelo entregue em 13 de outubro de 1964, o Learjet 23 tornou-se, rapidamente, o sonho de consumo de celebridades e empresários da época, permanecendo em produção por dois anos, com 104 exemplares produzidos. 


Em 1966, voaram seus substitutos, os novos Learjet 24 e Learjet 25, este último com fuselagem alongada para até oito passageiros. A empresa foi renomeada como Lear Jet Industries Inc. e, três anos depois, fundiu-se à Gates Aviation, tornando-se a Gates Learjet Corporation. Em 1990, a empresa canadense Bombardier assumiu o controle da empresa, mantendo até hoje a produção dos jatos. Vítima de leucemia, Bill Lear morre em 1978. 

O Learjet 35, pioneiro no conceito “turbofan”

Quando outro clássico da família, o Learjet 35, realizou seu primeiro voo em 1973, decolou com ele o conceito “turbofan”, novo sistema de fluxo de ar, que representou uma verdadeira revolução dentro do setor, por diminuir significativamente o ruído dentro da aeronave e também o consumo de combustível. 

A ideia de remotorização, que já vinha desde 1968, contou com a californiana Garrett, especializada em jatos pequenos, que teve que construir um motor específico, o TFE731-2, com 3.500 libras de empuxo. O grande diferencial foi a adoção da peça complementar “fan”, fixada no eixo principal do motor, dotada de palhetas de metal leve e muito resistente – que aumentavam o fluxo de ar gerado pelos compressores (de alta e baixa pressão). 

Apesar de seus aprimoramentos, também nos sistemas elétrico, hidráulico, eletrônico e mecânico, o modelo deixou de ser fabricado na metade da década de 90, substituído por novos jatos da família. Foram comercializados mais de 600 exemplares do Learjet 35.