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Acrobacia

O céu é o limite para Márcio Oliveira

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perfil_01-323355Conquistar os céus é a missão do americanense Márcio Oliveira, piloto de acrobacias e de aviação comercial. Nas competições que participa – nacionais e internacionais – se destaca, o que o levou a ser convidado para competir no Campeonato Inglês em 2015.

O patrocínio da escola Sierra Bravo Aviation, de Americana, garante a participação nos torneios, mas ainda é preciso mais para que ele concorra em igualdade com os pilotos internacionais. A pouca estrutura não coloca medo no piloto, que encara as competições e representa (bonito) o Brasil lá fora.

Entrevista | Márcio Oliveira

O que é voar para você?
Voar sempre foi um sonho para mim, desde pequeno, não só como profissão. Esse desejo, de aperfeiçoar das técnicas, utilizar como esporte, foi uma ferramenta muito boa para mim. Quando um piloto melhora suas técnicas para o esporte, melhora também para a aviação comercial. A aviação tem sido na minha vida uma jornada fantástica em que estou realizando meus sonhos e vivendo ótimas fases.

Você teve dificuldade para conseguir patrocínio?
No nosso País infelizmente é muito difícil conseguir patrocínio. O Brasil ainda precisa amadurecer em esportes que o mundo dá muito valor. Este em específico é pouco difundido e divulgado aqui e tem uma nova geração que está voando e pode levar o País ao mais alto degrau no cenário internacional.

Como foi seu início nas competições?
Não fui no campeonato de alegre, tive um amigo que me incentivou. Ele disse: “Vai lá, você tem talento, vai conseguir”. Sempre teve a dificuldade financeira, o avião é algo muito caro. Financiei muita coisa do meu bolso que às vezes estava fora do meu alcance, e na primeira competição da minha vida nesta categoria peguei terceiro lugar no campeonato brasileiro e a diferença para o primeiro lugar foi um centésimo.

marcio oliveiraE o convite para a África?
Um dos juízes era da Federação Internacional de Aeronáutica e me falou da prova do campeonato mundial. Falei que era o terceiro colocado, não o primeiro. Ele disse que viu o meu esforço e gostaria de me ver lá.

Foi fácil chegar lá?
Corri muito atrás e não consegui nenhum patrocínio, nem municipal, nem estadual. Além disso, os países mandavam equipes como se fosse Olimpíadas, com 12 pilotos, técnicos, treinadores; e eu fui sozinho. Muita gente deu apoio moral e tive ajuda da Sierra Bravo Aviation que ofereceu o patrocínio, pagou minha inscrição e me ajudou e mesmo assim tive que conseguir boa parte do dinheiro. Esse apoio foi fundamental e temos uma acordo de dois anos.

Como é sua preparação?
O treinamento tem que ser uma prática constante. Você tem que estar sempre treinado, é como um piloto de fórmula 1. No carro você tem o eixo X e Y, no ar você tem o eixo Z também, e vai lidar com o vento, com a pressão, com a temperatura. Nem um dia é igual ao outro. Contei com a ajuda do mesmo amigo que me incentivou, ele veio de graça e me treinou, deixava de ver a família para ajudar e pagava seus custos do próprio bolso.

Como foi a recepção na etapa do mundial?
Cheguei lá e o governador do estado disse que tínhamos que nos orgulhar do nosso país, antes eu achava que ninguém sabia que estava lá. O avião que voei era o mais obsoleto, todos estavam voando com um Fórmula 1 e eu estava com um Stock Car. No primeiro dia as pessoas olhavam com desconfiança. Um chinês perguntou se eu havia ido jogar futebol. Respondi que fui ganhar dele e no final ele ficou atrás de mim na colocação. Do segundo dia para a frente acabei tendo contato com as lendas do esporte e fui tendo respeito deles.

Mais de Márcio

2014
Foi a primeira vez que o Brasil participou da prova intermediária do torneio mundial. A etapa aconteceu em novembro, na África do Sul.

Estreia
A primeira participação de Oliveira em competições de acrobacia foi em agosto, durante o campeonato brasileiro.

Convite
Márcio Oliveira foi convidado pelo piloto Allan Cassidy, considerado o melhor piloto britânico de acrobacia aérea, para participar no campeonato inglês de acrobacia em 2015, utilizando para isso o próprio avião de Allan.

Regiane Muniz