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Santos Dumont, O Gênio Brasileiro – Capítulo II

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Biografia Completa – Parte 2/3
Pedro Rosas
Portal do Aviador
O 14-Bis
 

 

Depois de empreender inúmeros projetos e passar dezenas de horas em voo, Dumont enfim percebeu que os motores de explosão tinham se desenvolvido o suficiente para a construção de um aparelho mais pesado que o ar, navegando contra o vento, em absoluta segurança. Abandonou rapidamente os dirigíveis e voltou a estudar a mecânica dos pássaros, a estrutura de seus corpos e os movimentos que realizavam durante o voo.

 
Assim, em meados de 1906, começou os testes com um aeroplano, acoplado ao balão Nº 14 (por isso o nome 14-Bis), a fim de facilitar a decolagem. Mas como o dirigível gerava muito arrasto e não permitia desenvolver velocidade, Dumont enfim retirou o Nº 14 e duplicou a potência, instalando um motor de 50 cavalos-vapor, no lugar dos 24 utilizados na época. 

Depois envernizou a seda das asas para aumentar a sustentação, retirou a roda traseira, por atrapalhar a decolagem, e cortou a estrutura portadora da hélice. No dia 23 de outubro de 1906, o 14-Bis decolou no Campo de Bagatelle, como o primeiro aparelho mais pesado que o ar a levantar voo por seus próprios meios – até então, os aparelhos dependiam de fatores externos, como o uso de catapultas, trilhos ou penhascos.  

 
Conquistando a Taça Archdeacon, como primeiro “vôo mecânico” do mundo, e transformando Dumont no maior inventor brasileiro de todos os tempos, o 14-Bis percorreu 60 metros em sete segundos, a dois metros do solo. Com 10 m de comprimento, 12 de envergadura e pesando 160 Kg, o 14-Bis trazia longarinas de bambu; ligas, interseções e cantoneiras de alumínio; trem de pouso com duas rodas; leme para controlar a direção e ailerons para regular o giro. 
 
A façanha, realizada diante da Comissão Fiscalizadora do Aeroclube da França, foi aclamada por mais de mil espectadores e também pela imprensa mundial que, no dia seguinte, louvava o feito histórico. Em 12 de novembro do mesmo ano, Dumont percorreu 220 metros em 21,5 segundos, erguendo-se à altura de 6 metros, estabelecendo o primeiro recorde de distância da época, inaugurando, de forma inequívoca e definitiva, a “Era da Aviação”.








Os Demoiselles
 

 


Não satisfeito com as séries Nº 15 a 18, Dumont ainda construiu a série Nº 19 a 22, de tamanho menor, chamada de Demoiselles (“libélula” em francês). Mais rápidos e com maior possibilidade de controle que o 14-Bis, o Demoiselles, de 1907, é considerado o primeiro avião esportivo do mundo e o primeiro a ser fabricado em larga escala, por uma antiga fábrica de automóveis, a Clément Bayard.

 

Em 1909, capaz de voar quilômetros, com seu motor Dutheil-Chalmers de 18 cavalos-vapor e asas arqueadas. Meses depois, adaptou um motor Darracq de 30 cavalos-vapor e enrolou os tubos do radiador em torno das asas, criando o Demoiselle VI. Com ele, Dumont realizou os mais extraordinários voos de sua carreira, alçando uma média de 96 km/h, marca inédita para a época. 

 
O Demoiselle VI também quebrou o recorde mundial de saída, com uma decolagem de 70 metros, cronometrada em 6,25 segundos. A marca foi acompanhada de uma sensacional exibição aérea. Com os braços erguidos, Dumont largou os comandos do avião, segurando um lenço em cada mão. Seus dedos então se abriram, e os lenços caíram suavemente sobre o público presente.
 
O Demoiselle VII, por sua vez, não obteve o mesmo sucesso e capotou ao tentar decolar, em setembro de 1909. Uma das asas se rompeu e o avião caiu de 30 metros de altura. Dumont, mais uma vez, não saiu ferido, mas o episódio marcou o fim de sua carreira como piloto e a família Demoiselles foi então considerada seu último invento aeronáutico.
 
Cansado e com a saúde comprometida, Dumont fechou sua oficina em 1910, e afastou-se estranhamente do convívio social. Em agosto de 1914, a França foi invadida pelas tropas alemãs, marcando o início da Primeira Guerra Mundial. Aeroplanos passaram a ser usados na guerra e Dumont entrou em profunda depressão ao ver sua invenção utilizada em finalidades bélicas.

 

O primeiro relógio de pulso

 

Tão comum nos dias de hoje, o relógio de pulso surgiu de uma necessidade de Santos-Dumont de possuir um relógio amarrado no braço, para utilizar com mais facilidade durante o voo, já que ficava complicado tirá-lo do bolso. Dumont então pediu ao seu amigo Louis Cartier, notório relojoeiro e joalheiro de Paris, que pusesse alças em seu relógio de bolso. 

 
Assim, em 1904, Cartier criou o primeiro relógio de pulso, que só seria comercializado sete anos depois, em 1911. O relógio foi batizado com o nome “Santos”, em homenagem ao aviador. A “Coleção Santos” é comercializada até hoje.