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Santos Dumont, O Gênio Brasileiro – Capítulo III

Biografia Completa - Parte 3/3
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De volta ao Brasil
Com o fim da guerra, em 1914, Dumont passou a se dedicar à astronomia, mudando-se para Trouville, no litoral francês. Mas com a piora na saúde, decidiu retornar ao Brasil. Sofrendo muito com a depressão, encontrou refúgio em Petrópolis, onde projetou e construiu seu chalé “A Encantada”: uma casa com diversas criações próprias, como um chuveiro quente, para que ele mesmo pudesse controlar a temperatura da água. Permaneceu na cidade até 1922, quando passou a se dividir entre Paris, São Paulo, Rio de Janeiro, Petrópolis e a Fazenda Cabangu, sua terra natal, em Minas Gerais.
 
Em 1926, apelou à Liga das Nações para impedir a utilização de aviões como armas de guerra. Inventou um motor portátil para esquiadores, que facilitava a subida nas montanhas e, finalmente, internou-se no sanatório Valmont-sur-Territet, em Glion, na Suíça. Em 1928, retornou ao Brasil. A capital da república, Rio de Janeiro, preparou-se para recebê-lo festivamente, mas o hidroavião Condor Syndikat, que faria a recepção sobrevoando o navio onde estava, sofreu um acidente, sem sobreviventes. Abatido, Dumont retornou a Paris.

Legião de Honra 

Em 1930, foi condecorado com o título de Grande Oficial da Legião de Honra da França. No mesmo ano, internou-se em casas de saúde, nas cidades de Biarritz e Ortez, no sul da França. Em seu último retorno ao Brasil, em 1931, foi eleito membro da Academia Brasileira de Letras. Passou pelas cidades de Araxá (MG), Rio de Janeiro, São Paulo e Guarujá (SP), no antigo Hotel La Plage.
 
Em 1932, explodiu a Revolução Constitucionalista, com o Estado de São Paulo rebelando-se contra o governo federal, de Getúlio Vargas. Angustiado, Dumont lançava apelos temendo uma possível guerra civil. Mas aviões atacaram o campo de Marte, em São Paulo, no dia 23 de julho, levando Dumont ao suicídio, aos 59 anos de idade, sem deixar descendentes.

Flyer X 14-Bis. O fim da polêmica com os irmãos Wright
 

Quem, afinal, inventou o avião? Quem é o pai desta criança, Santos Dumont ou os Irmãos Wright? A interminável polêmica, iniciada há mais de um século, pode estar com os dias contados. “O avião não tem um pai. Têm vários”, diz o físico espacial Henrique Lins de Barros, talvez o maior especialista vivo em Santos-Dumont. “Um produto tecnológico são várias descobertas que vão culminando para um determinado momento”, observa.

Mas vamos aos fatos. No dia 23 de outubro de 1906, Alberto Santos-Dumont realizou o primeiro voo num aparelho que decolou e pousou por seus próprios meios. Longe dali, no estado da Carolina do Norte, nos Estados Unidos, o primeiro voo de um aparelho mais pesado que o ar havia sido realizado por dois mecânicos de bicicleta, os irmãos Orville e Wilbur Wright, só que três anos antes, em dezembro de 1903.
 

Portanto o sonho humano ancestral foi conquistado por dois fabricantes de bicicleta de Ohio, certo? Errado. A “máquina voadora” dos Wright não tinha sustentação. Seu motor, com mais de 100 Kg, gerava 11 cavalos-vapor. Não havia força para decolar, não havia leveza para planar. O Flyer, como era chamado, precisou de ventos fortes, na descendente, do alto de uma colina, com ajuda de trilhos e um sistema de torção das asas. Os americanos não inventaram o avião, não inventaram o voo autônomo de Dumont, mas foram os primeiros a voar.

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Talvez tenha chegado o momento de dividirmos o legado entre muita gente. Como o alemão Otto Lilienthal, morto num voo de planador, ainda em 1896. Como Léon Delagrange, dos inéditos 244,6 km de distância, em 1908. Como Louis Blériot, primeiro a sobrevoar o canal da Mancha, em 1909. Como Gabriel Voisin, pai dos biplanos Voisin 1907. Como Henri Farman, gênio da dirigibilidade e fundador da Farman Aviões, em 1908. Ou mesmo Orville Wright, que, em 1903, criou a configuração “canard”, usada no próprio 14-Bis. 
 
Muitos são os pais e muitos são os filhos. E se os irmãos Wright voaram primeiro, Dumont deu a chave da decolagem perante uma comissão internacional e criou o primeiro ultraleve do mundo e, com ele, a primeira produção em série da história – a família Demoiselles teve centenas de exemplares fabricados pela Clément Bayard. 
Enquanto isso, Orville e Wilbur Wright, tentavam, histericamente, patentear o Flyer. “Eles poderiam patentear o motor, o sistema de esquis, mas tentaram patentear o avião, o voo. Não conseguiram. E ainda atrasaram o desenvolvimento tecnológico do país, ao tentar impedir outros americanos de desenvolver aeronaves”, conclui Lins de Barros. 
Pedro Rosas Portal do Aviador